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20/03/2017 18h40 - Atualizado em 20/03/2017 18h42
TAMANHO DA LETRA
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CAIXA Cultural Rio revela a Angola de ontem e de hoje pela visão da arte

Com obras de três artistas contemporâneos, a exposição “Daqui pra frente” discute as tensões nas relações entre ex-colônia e colonizador

Rio de Janeiro, Cultura

CAIXA-Cultural-Rio-Exposicao-Daqui-pra-Frente-interna-01.jpgA CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 21 de março a 14 de maio, a exposição Daqui pra frente – Arte contemporânea em Angola, que exibe obras da produção recente de três artistas da novíssima geração do país: Délio Jasse, Monica de Miranda e Yonamine. Com a curadoria de Michelle Sales, a mostra exibe uma série de fotografias, vídeos e instalações, fazendo um mapeamento da fronteira estética entre a Angola de hoje e as imagens de um passado colonial recente. O projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

“A representação da fronteira, excessivamente recorrente no pensamento atual, discute as trocas culturais que ocorrem na situação de pós-independência, que muitas das ex-colônias vivem hoje”, comenta Michelle Sales. “Na maioria das vezes, tais territórios são encarados como esquecidos, vigiados e vazios”, argumenta a curadora.

CAIXA-Cultural-Rio-Exposicao-Daqui-pra-Frente-interna-02.jpgÉ justamente essa perspectiva que o trabalho dos artistas busca questionar, sob diferentes óticas. As obras de Délio Jasse, por exemplo, consistem, num embate direto de referências, que fazem alusão à crise de todo o modelo colonial e seus desdobramentos contemporâneos: guerra, exílio, perdas. Por intermédio do retrato de rostos escavados numa antiga feira de antiguidades de Lisboa, Délio nos coloca frente a frente com aquilo que as práticas coloniais mais se ocuparam de apagar: as identidades.

Já Monica de Miranda mostra os pedaços de uma memória coletiva, que resiste no tempo. Angolana da diáspora, seu trabalho atravessa diversas fronteiras e esboça uma paisagem de identidades plurais, inspiradas pela própria existência e vivência de uma artista itinerante. Sua poética autoral e autorreferencial, inerente a uma geração que cresceu longe de casa, já lhe rendeu diversos prêmios internacionais.

CAIXA-Cultural-Rio-Exposicao-Daqui-pra-Frente-interna-03.jpgE o trabalho de Yonamine remete à arte urbana, usando referências que vêm do grafite, da serigrafia e da pintura, num embate violento com o acúmulo cultural do caótico cenário político-econômico de Angola. A alusão ao tempo presente é recorrente na utilização de jornais como suporte. São muitas camadas históricas que se somam, produzindo imagens profundamente perturbadoras e desestabilizadoras. O artista fala de um país cujo passado foi sistematicamente apagado, seja pela Guerra Civil, pela ocupação russa, cubana e agora chinesa e coreana.

Serviço
Exposição Daqui pra frente – Arte contemporânea em Angola
Entrada Franca
CAIXA Cultural Rio de Janeiro (Av. Almirante Barroso, 25 – Centro) – Galeria 3, de 21 de março a 14 de maio (terça-feira a domingo)
Horários: das 10h às 21h
Abertura: 21 de março de 2017(terça-feira), às 19h
Telefone: (21) 3980-3815
Classificação Indicativa: Livre
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

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