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24/10/2018 15h40 - Atualizado em 24/10/2018 16h39
TAMANHO DA LETRA
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​Primeiro treinador de Ricardinho conta como o jogador começou no futebol de 5

Camisa 10 da seleção brasileira foi eleito em 2018 melhor jogador do mundo pela terceira vez

Porto Alegre, Esporte

2018-10-23_futebol-de-5-ricardinho-interna-01.jpgNa infância, Ricardinho tinha o mesmo sonho de grande parte dos garotos de sua idade: ser um jogador de futebol. Mas um deslocamento de retina o deixou completamente cego aos oito anos e interrompeu o sonho de atuar nos campos. Sem esperança de recuperar a visão, Ricardinho encontrou no futebol de cinco, modalidade praticada por deficientes visuais, a motivação para voltar a sonhar.

Aos nove anos, Ricardinho se mudou de Canoas para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para morar no Instituto Santa Luzia, um internato onde estudava e fazia tratamento de saúde. Foi lá que Ricardinho teve o primeiro encontro com o preparador físico Adolfo Carmelino, mais conhecido como Dodô.

Dodô era professor do Instituto Santa Luzia e como um dos primeiros preparadores de atletas deficientes visuais no Brasil, iniciou Ricardinho no esporte e ensinou a ele a base do futebol de 5. Ricardinho relembra que o início não foi fácil. “Não tinha quem treinasse comigo, ficava treinando chute, drible, muitas vezes em casa sozinho”.

2018-10-23_futebol-de-5-ricardinho-interna-02.jpgA perseverança o levou, com a ajuda de Dodô, a entrar aos 15 anos para seu primeiro clube, a Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (ACERGS). Aos 16, Ricardinho já era convocado para a seleção brasileira, onde logo teve a oportunidade de conhecer sete cidades da França disputando jogos amistosos. “A gente jogou sete partidas em cidades diferentes e ali eu já fui ganhando espaço na seleção brasileira. No ano seguinte eu já era titular”, conta.

Melhor do mundo e goleador do Mundial 2018
De quatro em quatro anos é realizada a eleição do melhor do mundo no futebol de 5. Em 2006, aos 17 anos, Ricardinho foi eleito o melhor do mundo. Em 2010, quem levou a melhor foi o craque Jefinho, também da seleção brasileira. Mas em 2014, deu Ricardinho novamente. Na eleição seguinte, ao final da conquista do Brasil do título de pentacampeão no Mundial de Madri 2018, em junho, o craque da camisa 10 foi eleito mais uma vez o melhor do mundo.

O capitão da seleção, que marcou 10 gols nesse Mundial, revela que nem sempre vestiu a camisa 10. “Joguei um ou dois campeonatos com a oito, depois com a sete. Depois, aos 18 anos, recebi a 10 e não tiraram mais”, conta aos risos.

Ricardinho reverencia o professor Dodô com carinho e afirma que foi uma pessoa importante em sua carreira. Dodô, hoje com 78 anos, aposentado e voluntário na Associação de Cegos, atua há 42 na preparação desportiva de cegos e passou por todas as modalidades esportivas do Instituto Santa Luzia, exceto natação.

2018-10-23_futebol-de-5-ricardinho-interna-03.jpgO primeiro técnico
Dodô conta que teve que inventar um novo método para ensinar os cegos a praticar esporte de forma segura. “Eles eram desconfiados, estudavam de tarde e tinham educação física comigo de manhã, mas havia uma desconfiança muito grande”.

Dodô lembra que quando Ricardinho chegou ao instituto, a prática desportiva já estava mais desenvolvida entre os cegos. “Eu fui o primeiro a botar um cego para correr uma maratona no Brasil”, afirma o técnico. “Quando você vê um cego praticando um esporte, não é de uma hora para outra que começa. Existe o trabalho de um profissional por trás. Primeiro tem que conquistar a confiança. Se ele se bate, machuca durante o esporte, o cego perde totalmente a confiança em ti”.

Os garotos que chegavam ao Santa Luzia eram analisados individualmente segundo Dodô. “O Ricardinho, quando apareceu, só queria saber de bola e eu notei que ele era diferenciado, ele queria jogar bola junto com os atletas de baixa visão, mesmo sendo cego total. Mais tarde, o mandei para a associação de cegos e deu no que deu. Um verdadeiro craque. Tem a mão de Deus ali”, conta com orgulho o técnico e amigo de Ricardinho.

Dodô, que assim como Ricardinho gosta de cachorros, tem cinco em sua casa e afirma que seu DNA é de cego e de cachorro. “Eu costumo dizer que na outra encarnação eu fui o cão guia do Luiz Braile, o inventor do sistema braile”, brinca.

2018-10-23_futebol-de-5-ricardinho-interna-04.jpgCopa Loterias Caixa
Ricardinho estará à frente como capitão da equipe AGAFUC-RS, na Copa Loterias Caixa de Futebol de 5 - Série A, realizada entre 5 e 11 de novembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O time é o atual campeão e chega com mais cinco atletas da seleção brasileira como um dos favoritos ao título, como o próprio Ricardinho diz.

“Somos até considerados os favoritos, por ter o maior número de atletas na seleção brasileira, por ser o atual campeão, mas isso não ganha jogo, então, a gente está treinando forte para tentar corresponder à expectativa, principalmente de nosso torcedor”.

As próximas disputas de Ricardinho pela seleção vão ser no ano que vem. No primeiro semestre de 2019, o Brasil participa do Campeonato das Américas, em São Paulo, com data ainda a ser definida. Já no segundo semestre, tem os Jogos Parapan-Americanos de Lima, de 23 de agosto a 1º de setembro. A seleção brasileira é tricampeã dos Jogos Parapan-Americanos no Futebol de 5 e a competição será um dos últimos grandes desafios da seleção antes das Paralimpíadas de Tóquio 2020.

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