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07/11/2018 16h00
TAMANHO DA LETRA
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Navio de Emigrantes: passado e presente do exílio em exposição na Caixa Cultural Brasília

A mostra é parte do trabalho da artista visual Leila Danziger baseado em memórias da família

Brasília, Cultura

2018-11-05_navio-de-emigrantes-interna.jpgAs memórias da família Danziger, que cruzaram os mares Mediterrâneo e Atlântico como refugiados da Alemanha nazista, são o ponto de partida da exposição Navio de Emigrantes, em cartaz na CAIXA Cultural Brasília até 23 de dezembro. A mostra é parte do trabalho da artista visual Leila Danziger e é um convite a um olhar cético, fruto dos traumas históricos que nos trazem ao momento atual. 

A exposição é dividida em duas partes: Navio de Emigrantes e Mediterrâneo. "Meu trabalho começou a partir de uma lembrança pessoal. De um nome que meu pai pronunciava muito, que era o do navio que o trouxe ao Brasil quando ele tinha 14 anos. Navio Aurigny", explicou Leila Danziger.

A partir dessa lembrança a artista foi pesquisar no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro a lista dos passageiros dos navios que fizeram o trajeto Europa-Brasil na década de 30 para fugir do nazismo. "Essa história pessoal foi o vetor para pensar uma história maior. O que eu queria era pensar para além desses nomes, para além da minha história pessoal. Pensar nos nomes que não estão nessas listas, nos vistos negados, nas pessoas que não encontraram porto algum".

A segunda parte da exposição é sobre os fluxos migratórios atuais que promovem a diáspora das regiões da África e da Ásia rumo à Europa Ocidental. Esse segundo eixo da mostra é baseado em matérias da mídia impressa e de audiovisuais da internet.

Com imagens propositalmente sem definição, captadas de frames de vídeos, Leila propõe um olhar à beira da ruína do momento. "O que me interessa é a imagem à beira do apagamento, entre a memória e o esquecimento. Uma imagem que parece à beira da dissolução, que parece arruinada, que parece conter o desastre", disse.

Iohana Silva acredita que as imagens borradas tocam ainda mais os visitantes da exposição. "Estamos acostumados com imagens em alta definição, em HD e as imagens borradas trazem esse desespero dos imigrantes". Segundo a estudante de artes visuais o tema da mostra é real e atual.

Para o curador da exposição, Raphael Fonseca, a exposição Navio de Emigrantes propõe o cruzamento entre presente e passado e contribui para que o visitante seja especialmente sensibilizado para uma importante reflexão. "A história possibilita que a gente compreenda muitas coisas do presente". Para ele, a narrativa da família de Leila Danziger pode espelhar questões muito mais complexas. "Gosto muito de uma máxima latina que afirma que a história é a mestre da vida", afirma Raphael.

O estudante Bruno Gomes esteve na exposição e afirma ter ficado ainda mais sensível à causa das emigrações após a visita. "Foi bem impactante ver os vídeos e os documentos expostos. Acho que é importante sensibilizar as pessoas para que elas entendam o que as outras passam", definiu Bruno.

Exílio e holocausto
Navio de Emigrantes apresenta também apresenta obras de dois artistas que viveram as angústias do exílio e do holocausto: Lasar Segall e Paul Celan.

Lasar Segall retratou, em óleo sobre tela, as experiências que viveu a bordo dos navios que fugiam da guerra, da fome e da miséria de sua terra natal. Desde sua primeira viagem ao Brasil, em dezembro de 1912, ele anotou, em pequenos cadernos de desenho, as experiências que viveu a bordo dos navios. Assim, seus deslocamentos entre o Velho e o Novo Mundo, cruzando o Atlântico, produziram instantâneos de viagem, retratos de diferentes tipos humanos, o cotidiano dos marinheiros, detalhes construtivos das embarcações, a experiência da imensidão do oceano em confronto com a fragilidade do destino humano. Seus apontamentos deram origem, no final dos anos 1920, às gravuras da série Emigrantes e, durante a Segunda Guerra Mundial, à tela Navio de Emigrantes, realizada entre 1939 e 1941.

Já a poesia de Paul Celan está exposta na parede logo na entrada da exposição. Para Leila Danziger o poeta judeu que sobreviveu ao holocausto talvez seja o grande poeta dos campos de concentração. "O poema aqui exposto é a imagem de um naufrágio e tem versos que usei como títulos de trabalhos meus", explicou. "Esse naufrágio termina com uma palavra de esperança. Tu és flâmula. Sólida de canto. Pra mim, uma imagem de esperança", finalizou Leila.

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