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14/12/2018 15h15 - Atualizado em 14/12/2018 15h17
TAMANHO DA LETRA
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Escola Bolshoi vai muito além do balé clássico

Professor Maikon Golini, aluno da primeira turma e hoje professor, diz que na Escola Bolshoi aprendeu tudo que sabe até hoje. "Me tornei pessoa por causa da Escola Bolshoi"

Santa Catarina, Cultura

2018-11-19_materia-03-interna-01.jpgProfessor de dança clássica da primeira e segunda séries da Escola do Teatro Bolshoi em Joinville há nove anos, Maikon Golini explica que os três primeiros anos que as crianças vivem dentro da instituição são um período de adaptação. "Vamos ensinar para as crianças que isso é dança, essa é a cultura do balé, esse é o seu novo universo. Vamos mergulhá-la na cultura do balé".

Segundo ele, é nesse período que a criança se apaixona por essa profissão que é a de bailarino e bailarina e começa, com nove, dez ou onze anos a construir a sua carreira. "Desde o primeiro dia de aula a gente posiciona a criança na barra para fazer o primeiro exercício. Por mais simples que seja, a gente não está ensinando dança nem técnica, estamos ensinando a serem bailarinos", fala o professor.

Maikon relata que a Escola ensina as crianças a serem cidadãos, a terem uma profissão, a respeitarem todo um sistema cultural. "Quando a gente vê os pais falando que o Bolshoi vai muito além do balé clássico é porque eles entenderam o espírito do Bolshoi", diz.

Para o bailarino, a criança que entra na Escola tem um brilho diferente no olhar. "É uma criança que tem um sentimento e um desejo pela dança. A arte do balé é muito exigente. A gente lida com a perfeição do corpo, da cena. É preciso ter paixão para aceitar e superar cada dia", avalia.

2018-11-19_materia-03-interna-02.jpgGolini é um exemplo de toda essa vivência na Escola. Entrou na primeira seleção com apenas sete anos de idade e ficou como aluno durante 10 anos. "Sou joinvilense, não tinha contato nenhum com dança, não sabia o que era balé clássico, nunca tinha ido a um teatro. Aqui aprendi absolutamente tudo que sei até hoje. Me tornei pessoa por causa da Escola Bolshoi. Ela me abriu os horizontes, me mostrou uma arte que até então não conhecia. Hoje me sinto realizado podendo fazer com os meus alunos o mesmo que fizeram comigo", fala.

O professor faz parte da história da Escola Bolshoi. Em 1999, uma equipe procurou a escola pública em que estudava e mostraram várias fotos de bailarinos. "Olhava aquilo, nunca tinha visto um homem bailarino e ele estava saltando na foto. Pensei que poderia fazer algo do tipo. Daí topei fazer os testes”, relata. Maikon passou em todas as etapas, para sua surpresa. Entrou na Escola no ano 2000 e nunca mais saiu.

"Foi aqui dentro que me apaixonei pelo balé. A gente precisa de amor para fazer essa arte", fala Golini. A paixão dos professores e dos pianistas pelo trabalho que realizam o fez se encantar pela arte. "Acho que todo esse amor que existe na Escola Bolshoi é um dos diferenciais do nosso trabalho e dos nossos bailarinos".

2018-11-19_materia-03-interna-03.jpgAprovado está pronto para ingressar na Escola Bolshoi
O menino de nove anos Gabriel Antônio Fraga Tamiozzo não sabe muito bem o que o espera no ano que vem. Ele foi um dos 20 meninos selecionados para ingressar na Escola Bolshoi em 2018. "Quero ser bailarino porque é bem legal e bonito", diz o estudante do quarto ano do ensino fundamental em Ijuí (RS), cidade onde mora.

O padrasto, Luciano Pereira Borges, trabalhou pesado durante uma semana e meia para proporcionar a viagem para a seletiva nacional em Joinville, que aconteceu em outubro. Viajaram 760 quilômetros que valeram a pena. "Estamos na expectativa e animados para deixar tudo e nos mudar para Joinville", disse. Luciano, que trabalha em serviços gerais de manutenção, acredita que consegue trabalho. "Tenho dois amigos que moram em Joinville que podem me indicar", fala. 

2018-11-19_materia-03-interna-04.jpgA família ficou surpresa com o tamanho da Escola. "Não sabia que era tão grande. Aqui tem gente de todo lugar", definiu. A seleção contou com candidatos de quase todo o país, uma vez que a pré-seleção aconteceu em 26 estados brasileiros. Já os alunos da instituição representam 22 estados e o Distrito Federal, além de representantes de três países: Paraguai, Argentina e Uruguai.

Esta matéria é a quarta de uma série de cinco reportagens sobre a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil que serão publicadas até a próxima semana.

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