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01/02/2019 13h50 - Atualizado em 01/02/2019 17h41
TAMANHO DA LETRA
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A arte do grafiteiro Speto na CAIXA Cultural Salvador

Art pelo Mundo mostra uma retrospectiva do trabalho de mais de 30 anos do artista Speto, um dos precursores do grafite no Brasil

Salvador, Cultura

2019-02-01_grafite-speto-interna-01.jpgA obra de um dos precursores do grafite no Brasil reconhecido internacionalmente pode ser vista na CAIXA Cultural Salvador até o dia 17 de fevereiro. Paulo César Silva, conhecido como Speto, mostra uma retrospectiva do seu trabalho na exposição Art pelo Mundo. A mostra inédita é dividida em três atos: as mulheres, os pássaros e o macho.

"Essa exposição é um resumo do que é o meu trabalho. Os pássaros eu fiz há pelo menos 15 anos, as mulheres estão muito presentes no meu trabalho, venho de uma família de muitas mulheres, e em uma sala tem uma única peça que é um nordestino montado em um galo", conta Speto, que considera o grafite uma arte para todo tipo de gente e religião.

2019-02-01_grafite-speto-interna-02.jpgO nome Art pelo Mundo remete aos trabalhos do artista expostos pelo mundo, em pelo menos 15 países, como explica um dos curadores, Luan Cardoso. "Quem conhece a história dele sabe que realmente ele se alimenta em muitas fontes como artista e o nome seria a forma de expressar essas fontes diferentes". Na exposição é possível ver uma mistura de grafite pintado na parede com uma projeção. "Uma sala tem a reconstrução de dois grafites que ele já fez pelo mundo", fala o curador.

O artista, que em 2019 completa 34 anos de grafite, fala que por muito tempo não foi compreendido. "Acabei parando de estudar muito cedo, ainda adolescente, sendo criticado por todo mundo. Fui aprender sozinho", relembra. Speto começou a trabalhar com ilustração e foi visto como artista já nos anos 90. "Quem começou em 1985 a fazer grafite não tinha nenhuma informação sobre isso. Fazíamos tudo com muita paixão".

Speto certamente foi um dos artistas que abriu as portas para a nova geração de grafiteiros. Para ele, o grafite não é um movimento de arte, mas uma manifestação que aconteceu no mundo inteiro. "Artistas fazem grafite, fazem mural, mas nem todos que fazem grafite são artistas. Nem tudo que está na rua é arte", diz.

Para o artista, a arte é uma investigação muito profunda que exige muita disciplina, muito corpo, algo muito sério. "A gente usa a palavra grafite de uma forma bem genérica. Me considero muito mais muralista do que grafiteiro. Sempre tive a preocupação de fazer um trabalho com mais cuidado e mais tempo na rua. Sem regras", define.

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A arte que era marginalizada hoje está em galerias
O curador Luan Cardoso, que trabalha com o artista há cinco anos e a muitos estuda e pesquisa esse cenário, lembra que há mais de 30 anos atrás alguns jovens começaram o grafite pelo Brasil sempre pintando pelo prazer, sem muito acreditar que um dia essa arte estaria em galerias e museus. "Era uma arte totalmente marginalizada. Dentro dessa história, o Speto sempre quebrou barreiras, soube se relacionar bem com marcas sem perder o seu estilo, a sua essência", lembra.

"Speto sempre soube produzir em várias mídias diferentes, seja na madeira, na tela, no digital, na animação. Ele é muito antenado com tudo que tem de mais moderno, sempre se experimentando", fala Cardoso. O artista tem uma relação muito grande com a música. Produziu grandes palcos, cenografias, logomarcas e artes para uma série de bandas que estavam vivendo um cenário efervescente. "Qualquer artista hoje que foi influenciado nessa época possui uma admiração muito grande por ele", lembra.

"O grande diferencial do Speto é que nunca se apegou a regras e por isso conseguiu criar e buscar um estilo sempre tão diferente e ainda surpreender a todos. Esta exposição é algo histórico que está acontecendo em Salvador", convida Luan Cardoso.

A mostra tem entrada gratuita, sempre de terça a domingo, das 9h às 18h, até o dia 17 de fevereiro, na CAIXA Cultural Salvador.

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