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01/10/2015 15h10

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ANDRÉ LIOHN APRESENTA “REVOGO” NA CAIXA CULTURAL SÃO PAULO

Depois de fotografar guerras no exterior, o vencedor do Robert Capa Gold Medal registra a violência no Brasil

São Paulo, Cultura

Em 2012, André Liohn tornou-se o primeiro fotojornalista latino-americano a receber o prestigiado Robert Capa Gold Medal pelo Overseas Press Club, por seu trabalho sobre a guerra civil da Líbia. Depois de vinte anos morando no exterior, dez deles dedicados à fotografia de conflitos armados, o brasileiro decide retratar seu país. O resultado pode ser conferido na mostra "REVOGO", a partir de 10 de outubro, na Caixa Cultural São Paulo, com entrada gratuita.

Sob a curadoria de Thomas Roma, "REVOGO" é consequência de três anos de trabalho fotográfico por todas as cinco regiões brasileiras. "É o efeito da minha insatisfação não apenas com o meu passado, mas minha revolta com o fato de que, ainda hoje, milhões de indivíduos nascem, amadurecem e morrem sob os efeitos da perpetuação das injustiças brasileiras", conta André Liohn.

Após ter superado os riscos envolvidos no trabalho de cobertura de guerras e de ter sofrido com a perda de amigos na Líbia e na Síria, Liohn sentiu a necessidade de se dedicar a um trabalho que fosse pessoal e que pudesse refletir mais do que apenas uma opinião, mas que simbolizasse uma relação íntima com o seu próprio povo e com a realidade brasileira. "Quando questionado sobre minha profissão, costumo dizer que eu não nasci para ser fotógrafo. A realidade e as expectativas das pessoas que nasceram no lugar e tempo de onde eu venho não eram feitas de sonhos. Aqueles com quem compartilhei minha infância e adolescência nasceram para ser criminosos, prostitutas, viciados em drogas ou mortos em idade precoce", diz o fotógrafo.

"REVOGO" tem uma proposta simples: usar o método da fotografia de guerra para retratar e questionar a violência no Brasil e, daí, revogar certezas sobre as causas, consequências e soluções. André viajou pelo país e fotografou tanto em capitais como em cidades do interior. As primeiras fotos foram feitas em novembro de 2012 e as últimas durante o primeiro semestre de 2015. Ao todo são 60 fotografias e as imagens não estão identificadas com os locais e momentos em que foram feitas. "A legenda da mostra é uma só: Onde? Brasil. Quando? Hoje".

Para fotografar o Brasil, Liohn se posicionou da mesma forma como fez ou teria feito em qualquer outro país em conflito armado onde já tenha trabalhado. Sempre com o objetivo de questionar a frequente afirmação de que o Brasil vive uma "guerra velada". Hoje, com a distância de uma lente e tendo visto de perto os efeitos mais brutais da violência brasileira – o medo, a angústia, a perda da inocência – André entende que o país não vive em um estado de guerra e, por isso, acredita que é preciso parar para questionar as certezas a respeito deste problema tão percuciente da sociedade.

A exposição, que é realizada através de Lei de Incentivo à Cultura, com apoio da CAIXA e patrocínio da empresa Loducca, fica em cartaz até 6 de dezembro. Estão programadas duas visitas guiadas com o curador e o fotógrafo: uma na abertura da mostra (10), às 16h, e outra no dia 14/10 (quarta-feira), às 17h. No sábado (10), também haverá um debate com o psicanalista Moacir Amaral.

Sobre André Liohn
André Liohn nasceu em Botucatu, interior do estado de São Paulo, em 1974. Considerado um dos representantes da vanguarda do fotojornalismo de conflitos, produziu reportagens para as principais publicações nacionais e internacionais, como O Estado de S. Paulo, Veja, Der Spiegel, L'Espresso, Time The New York Times, Newsweek e Le Monde.

Começou a fotografar com 30 anos e, ainda em seus primeiros anos na fotografia, conheceu o fotógrafo tcheco Antonin Kratochvil, que viria se tornar seu amigo pessoal e mentor, influenciando fortemente seu trabalho e seus pontos de vista sobre a fotografia. Em 2011, juntou forças com Comitê Internacional da Cruz Vermelha para produzir a mostra "Assistência à saúde em perigo no olhar de André Liohn", que foi apresentada com grande sucesso em Genebra, Nova York, Roma e Brasília.

Em 2012, tornou-se o primeiro fotojornalista latino-americano a receber o prestigiado Robert Capa Gold Medal pelo Overseas Press Club, por seu trabalho sobre a guerra civil da Líbia. O mesmo trabalho ganhou grande repercussão e reconhecimento, entre outros os honrosos Prêmio Bayeux-Calvados Des Correspondants de Guerre, Photographer of the Year e Webby Awards.

Também em 2012, em parceria com outros fotógrafos, Liohn criou e encabeçou o projeto "Almost dawn in Libya", produzindo quatro exposições fotográficas nas principais cidades líbias. A proposta foi a de usar o fotojornalismo como uma possível ponte para a reconciliação na Líbia após a guerra civil. O projeto ganhou grande cobertura da mídia e foi produzida em parceria com o escritório das Nações Unidas para desarmamento e remoção de minas e explosivos, e com organizações como International Medical Corps e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Sobre Thomas Roma
Fotógrafo nova-iorquino, duas vencedor do prêmio Guggenheim (1982 e 1991). Tem feito exposições, individuais ou em grupo, em lugares como o Museu de Arte Moderna de Nova York e International Center of Photography. Em 2003, recebeu o New York City Council Proclamation, por contribuições para a vida cultural e educacional da cidade e, em 2011, a Ellis Island Medal of Honor. Em 2010, a Galeria Wallach na Universidade de Columbia expôs seu trabalho e publicou fotos de livros e um catálogo. A mostra viajou para Nova Orleans em 2011.

Thomas foi professor de fotografia na Universidade de Yale e The School of Visual Arts. Em 1996, tornou-se diretor de fotografia da Columbia University School of the Arts, onde ainda leciona. Seu trabalho está em numerosas coleções, incluindo no Museu de Arte Moderna de Nova York, The San Francisco Museum of Modern Art, The Art Institute of Chicago, The Los Angeles County Museum of Art e The Canadian Center for Architecture, em Montreal.

Serviço:
Exposição "Revogo"
Abertura e visita guiada: 10 de outubro de 2015 (sábado), às 16h
Data: 10 de outubro a 6 de dezembro de 2015 (terça-feira a domingo)
Horário: 9h às 19h
Entrada: franca
Classificação indicativa: 16 anos

Debate com o Psicanalista Moacir Amaral
Data: 10 de outubro de 2015 (sábado)
Horário: 17h

Visita guiada com o fotógrafo e curador
Data: 14 de outubro de 2015 (quarta-feira)
Horário: 17h

Local: CAIXA Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo (SP)
Informações: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

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